terça-feira, outubro 12, 2004

num minuto

As noite intermináveis
Os pensamentos improváveis
As palavras inigualáveis
Os espaços inabitaveis

As dores implacáveis
As acções impraticáveis
As horas imparáveis
As cadeiras confortáveis

As pessoas menos hábeis
As frases invioláveis
Os passos incontornáveis
As liberdades incontáveis

Tudo isto num minuto
Que eu, cansado, não refuto
Como qualquer ser mortal
Só sei mesmo ser igual

Guarda, 28 de Março de 2004

há dias assim

Hoje decidi não escrever.
Prefiro ficar parado
Só a ver
O tempo cruzado
Por um espaço inquieto
E tão deserto
Como eu.

As palavras que haveria de dizer
Desenho-as, apenas,
Com o fumo que me rodeia.
E com elas faço uma teia
Onde, uma vez presos os sentimentos,
Vou ver se compreendo o que desenhei,
Que é aquilo que não sei.

Hoje decidi
Não dar ouvidos
Ao pensamento
E duvido,
Assim,
Que ele me ouça a mim.

Ficaremos cada um para o seu lado
Neste meu pequeno mundo,
Que afago,
Com sombras chinesas
De criaturas aladas
Que, sorrateiras,
Em vez de palavras,
Solto no ar,
Caladas...

E, quando der por mim,
Talvez até pense
E me convença
Que há dias assim.

Guarda, 28 de Março de 2004

peço desculpa

Queria pedir desculpa pelo demasiado longo interregno nas minhas publicações. Estas coisas acontecem aos melhores... e a mim também...
De qualquer modo, vou continuar a publicar mais algumas coisas. Por exemplo, os pequenos textos que se vão seguir, foram feitos na calma do Café Monteneve, na Guarda, numa tarde cinzenta, tendo sido apresentados na única Noite de Poesia que eu e o meu grande amigo David conseguimos organizar, com a colaboração do grande Zé, meu grande amigo e dono do Barricas.
E aqui aproveito para deixar uma palavra de desagrado em relação àquela noite. Não que a própria Noite de Poesia tivesse corrido assim tão mal. Aproveito para deixar um agradecimento às pessoas que colaboraram com as suas participações nesta Noite. Brilhantes! O meu desagrado vai, de uma maneira geral para as gentes da cidade, que ainda não sabem valorizar e participar nas iniciativas que vão surgindo aqui e ali. E digo ainda, porque continuo na esperança de que a situação se altere, para melhor. E de uma maneira particular, vai o meu desagrado para as pessoas que estiveram presentes, mas conseguiram estar mais ausentes do que os ausentes, e que conseguiram fazer com que a Noite acabasse antes do previsto. É certo que não podemos impedir as pessoas de estar num espaço que é para todos. Mas, se houvesse um gosto por cultivar este tipo de iniciativas, talvez tudo tivesse sido diferente. Pelo menos assim o esperamos. Um agradecimento a todas as pessoas que colaboraram de alguma forma nesta Noite de Poesia, que, apesar de tudo, se tornou numa noite diferente para todos.

Pedro Vitorino

Guarda, 11 de Outubro de 2004