quarta-feira, janeiro 11, 2006

faz sentido

Faz sentido
Andar perdido
Deixar tudo
Ao acaso
Tanto frio
O céu sombrio
O mundo cai
Na minha frente
Tanto faz
Não sou capaz
É este o fado
Que me persegue
Faz sentido
Já ter perdido
O mundo todo
Da minha frente
Não entendo
Tanto tempo
Sem saber
Como foi
Em segredo
Calo o medo
De não ver
Tanta gente
Do perigo
Faço abrigo
Escondo o rosto
Que não tenho
Faz sentido
Andar perdido
No mundo todo
À minha frente


Coimbra, 2002

das lágrimas

Das lágrimas
Que saem do peito
Que foi,
Num suspiro sem jeito,
Calado...
Ainda resta a dor...

Coimbra, 2002

na quietude de mais um dia

Na quietude de mais um dia
O calor anda devagar
Nem o ar que se respira
Faz com que eu consiga andar
É tão fácil correr mundo
E às vezes mudo de direcção
Levo atrás de mim o cansaço
E a noite pela mão


Guarda, 2005

sinto o frio das palavras

Sinto o frio das palavras
Sinto a hora de partir
Faz de conta que não sinto
E o que sinto faz-me rir
Vem o tempo e passa leve
Por quem vê e não condena
Vem o espaço e ninguém vê
Ninguém sabe ou sente pena

Deixo o tempo para os outros
Não me apetece olhar
E a fraqueza dos tempos mortos
É para quem não sabe parar
Guarda, 2005