terça-feira, dezembro 16, 2008

apaga-me de uma vez

Apaga-me de uma vez!
Não me queiras ter sem me veres brilhar,
Que a luz que já não existe
Nem ficou para contar
Da promessa de quem desiste.

Deixa-me ver-te outra vez.
Ah, como é tarde, na nossa vida
Para deixar que o esquecimento
Faça de nós a despedida
E faça nós no nosso tempo.

Guarda, 2008

do lado de lá da linha

do lado de lá da linha
leva-me a sorte inquieta
e a voz que ela tinha
mentia como a de um poeta.

abriu-se em mim o mundo
quando a linha não soava
e o grito mais profundo
era a voz que me calava.

agora já sem voz
ergue-se só a lembrança
e a sombra que há em nós
vai levá-la na mesma dança.

o silêncio do outro lado
cai pesado dentro de mim
vem num passo arrastado
fica comigo até ao fim.

Guarda, 2008