a estrada está molhada
A estrada está molhada
E eu vou andando
Pisando sem dar por nada
No mesmo caminho
Caminho sozinho
E de vez em quando
Penso em ti
A voz calada
Pela dor de não sentir
O olhar de nada
Serve para rir
Do que fiz ressurgir
E penso em ti
De vez em quando
Lá dou um pontapé
Numa lata desfeita
No chão molhado
Numa estrada sozinha
Caminho devagar
E penso em ti
Das penas e lembranças
Vale o que resta
Tão pouco e tanto tempo
E com a mão na testa
Olho o fundo negro
Da noite ao fundo
De mim para ti
Caminho sozinho
E penso em ti
Pedro V (21-III-2010)
encosta a tua mão
Encosta a tua mão
Ao de leve
Um gesto breve
Mata tanta solidão…
Distante é o sonho
Escuro o mar
Belo o olhar
Onde os olhos eu ponho
Cativa-me amante
De horas grandes
Agora como antes
Cativa-me errante
Deita-me, te peço
Devolve-me as horas
E todas as demoras
Enquanto não adormeço
Que a viagem só nossa
Nos prenda em nós
Que se solte, veloz
Tudo o que eu possa
Em ti tudo de mim
De nós o tempo
De volta, lento
Tudo o que não teve fimGuarda, Fevereiro de 2009
O Que Vou Ouvindo
Quem me conhece há mais tempo, sabe que a minha vida está fatalmente ligada à música. Por isso, já era tempo de dedicar as minhas palavras a ela. Decidi, então, aproveitar o espaço que eu tinha no Blogger com o nome "Digo eu... Não sei..." e transformá-lo de maneira a falar-vos de "O Que Vou Ouvindo". Trata-se de um espaço onde vou apenas expressar a minha opinião acerca do que vou ouvindo. Não esperem que eu fale exclusivamente das últimas novidades. Isso pode acontecer, como pode não acontecer. O que eu vou é falar do que ouço, independentemente da sua data de publicação.Convido-vos, portanto, a visitarem e a participarem em http://rosto3.blogspot.com/Abraços
apaga-me de uma vez
Apaga-me de uma vez!Não me queiras ter sem me veres brilhar,Que a luz que já não existeNem ficou para contarDa promessa de quem desiste.Deixa-me ver-te outra vez.Ah, como é tarde, na nossa vidaPara deixar que o esquecimentoFaça de nós a despedidaE faça nós no nosso tempo.Guarda, 2008
do lado de lá da linha
do lado de lá da linhaleva-me a sorte inquietae a voz que ela tinhamentia como a de um poeta.abriu-se em mim o mundoquando a linha não soavae o grito mais profundoera a voz que me calava.
agora já sem vozergue-se só a lembrançae a sombra que há em nósvai levá-la na mesma dança.
o silêncio do outro ladocai pesado dentro de mimvem num passo arrastadofica comigo até ao fim.Guarda, 2008
parei agora
Parei agora em frente a um sinalAo meu lado tenho memórias que me fazem malMeço a distância que ainda falta percorrerPeço aos sentidos que não me deixem perderCedo espaço a meu lado a um transeunteMas espero que não venha outro que a nós se junteNem dou conta do verde que cai luminosoSinta apenas aqui à volta o movimento nervoso
vivo nesta cidade
Vivo nesta cidadeDe olhos fechadosAcordo de punhos cerradosE pouco à vontadeO peso do ar aquiFaz-me força nos ombrosCarrego os meus assombrosE espalho-os por aíA manhã pintaDe novo todas as ruasE há memórias ainda cruasDo fado que nos fintaApagam-se candeeirosAcendem-se olhares de vagarQue a vida não está para andarA viver dias inteiros
mais paris
Mais fotos de Paris.Desta vez mostro-vos alguns dos inúmeros músicos que, por vezes ironicamente, dão mais vida à cidade.Ironicamente, porque os seus olhares, absortos nos sons que nos oferecem, quase parecem não ter vida para dar. Apenas música.Mais Paris, para vós, em http://rosto2.blogspot.com
"Vistas de Paris": exposição on-line, por pedro v
Durante algum tempo, ainda indefinido, estará on-line uma exposição virtual de fotografias, chamada Vistas de Paris, com algumas impressões que colhi na Cidade-Luz e que pretendo partilhar convosco.Venham daí, vamos dar um passeio numa cidade surpreendente a cada visita, a cada olhar, a cada rosto...Visitem, portanto, o blog Imagens do rosto em http://rosto2.blogspot.comA gente vê-se por aí!Pedro Vitorino