sexta-feira, dezembro 10, 2004

lá fora, a gente que passa

Lá fora, a gente que passa
Não sabe dos sinais
Que percorrem este espaço fechado
E que prometem mais,
Mais horas iguais,
Sem passado.

Lá fora, a gente que passa
Vai moldando as silhuetas
Da vidraça grande
Como se o horizonte
Não tivesse uma forma definida
E como se a própria vida
A não tivesse também.

Lá fora, a gente que passa
Não corre por gosto
Nem se cansa,
Passam velozes, sem rosto
Vão seguindo de posto em posto
Sem darem conta
Da sua própria dança

Lá fora, a gente que passa
Não quer saber
Se o tempo anda ou desanda,
Para a frente ou de recuo,
Sem pensar no amuo
Que nos rostos se estampa.

Lá fora, a gente que passa
Não sabe de mim,
Nem de ti,
Nem deles mesmos...

-

Lá fora, a gente que passa
Já ouviu, ao de leve,
Rumores de ocidente,
Onde a criatura demente
Reina e comanda,
Sem ter ideia dos sinais,
Das silhuetas,
Do cansaço,
Do tempo,
De mim,
De ti...
Da própria existência,
Banhada em demência...
Nem da gente, lá fora, que passa...

-

Lá fora, a gente que passa
E molda o horizonte na vidraça...
Sou eu...
Mais uma silhueta
Lá fora,
Que passa.

Guarda, 26 de Outubro de 2004