terça-feira, agosto 17, 2004

dos olhos

Dos olhos
Caem-me gotas
Que, de solidão,
Se misturam
Com as que o céu chora
E que recordam juntas
Amargas
Aquela hora
Em que,
Separando águas,
Unimos nossas mágoas
Num rio,
Frio, tão frio...
Alvo e sombrio
Era o luar
Que fez com que,
Dos olhos
Gotas salgadas
De tristeza amarguradas
Se misturassem
Eternamente
Com aquelas
Que dos teus olhos
Fugiram também
Ao encontro da eternidade,
Nossa, de mais ninguém.
Separamo-nos...
Unidos...
Por esse rio,
De lágrimas...
Frio...
Tão frio...

coimbra, 2002